O ser humano é, por excelência, um ser social, crítico, integrado, comunicativo e limitado. Estes atributos nos ajudam a aprofundar o sentido da existência humana e da formação da consciência.
QUEM É O SER HUMANO?
As respostas a esta questão basilar expressam a formação da personalidade, os componentes biológicos e genéticos, a composição estrutural e psicológica, a dimensão cognitiva e expressiva, o campo espiritual e sensitivo, as relações de fraternidade e dignidade, aquém de outros tantos campos de reação-ação. Da mesma forma, pensamos que há tentativas para compreender a estrutura do ser humano, sempre se buscando entender e caracterizar o agir comportamental da pessoa. As respostas a estas indagações são variantes, partindo do princípio de que o ser humano é dotado de sentimentos e sentidos até a constatação de que, a cada dia que passa, ele vai se tornando mais consciente de ser o “criador e autor da cultura de sua comunidade, (...) testemunhando o nascimento de um novo humanismo, do qual o homem se define, em primeiro lugar, por sua responsabilidade perante os seus irmãos e a história” (cf. Gaudium et Spes, n. 55).
Nesta afirmação primária, notamos um duplo cenário marcado pela INDEPENDÊNCIA X RESPONSABILIDADE e, acima de tudo, percebemos que o ser humano precisa da compreensão relacional entre a LIBERDADE – RESPONSABILIDADE – FIDELIDADE para expressar-se no campo das relações da vida humana. Assim sendo, compreendemos que é preciso compreender o ponto de partida do ser humano a partir da realidade de Deus, de como ele se revelou em Jesus Cristo e nos deixou o mandato de segui-Lo, tornando-nos continuação da sua presença no mundo (cf. At 1,8: “Sereis minhas testemunhas até os confins da terra”). A esta visão cristológica, somamos o aspecto antropológico e percebemos que a categorização dos valores humanos devem ser análogos aos de Cristo, acentuando a responsabilidade humana sob quatro importantes princípios:
- TEOLÓGICO: somos chamados POR e PARA Deus
- ANTROPOLÓGICO: somos identificados a Cristo desde nossa existência
- ÉTICO-MORAL: somos CO-RESPONSÁVEIS pelo princípio da fé
- VIVENCIAL: somos motivados por uma experiência particular da fé
Considerando estes princípios norteadores, afirmamos o valor da religião como uma RESPOSTA e uma OBEDIÊNCIA CONCRETA DA FÉ, procurando sempre mais um conhecimento do ser (Fides quaerens intellectum), descobrindo que o ser humano religioso tem (ou pelo menos deveria ter) um agir moral responsável.
Portanto, a responsabilidade tornar-se-á uma característica fundante na conduta humana. A partir deste rápido pressuposto introdutório, podemos pensar nas qualidades configurativas do ser humano:
- SER SOCIAL: perceber que está num mundo em relação e constante dinamismo;
- SER CRÍTICO: reconhecer a necessidade de efetuar juízos de valores e de expressão;
- SER INTEGRADO: aprofundar o campo da relação de dependência com o mundo, com as pessoas e com as estruturas, oferecendo a sua parcela de doação e dando sua contribuição;
- SER COMUNICATIVO: compreender os atributos da consciência, da fala, da linguagem e da comunicação (palavras, sons, expressões faciais e sensitivas);
- SER LIMITADO: considerar o sentido do “ser” humano, condicionado a um tempo e um espaço, avaliando as posturas essenciais de autodeterminação da intimidade e de auto-expressão dos sentidos;
- SER AMADO: colocar-se sob a perspectiva referencial do sentido religioso, como um ser protegido pelo Criador, salvo pelo Redentor e protegido pelo Espírito de Amor, fortalecendo o aspecto da unicidade religiosa com a conduta de vida pessoal.
Assim sendo, o ser humano é querido e amado por Deus, deixando-se cuidar pela Graça Criadora. Deus quer a nossa felicidade e sabe que só a encontramos no caminho do amor. Indica-nos o caminho, mas nos deixa livres de trilhá-lo. ELE NOS CRIOU POR AMOR E PARA O AMOR. Se livremente respondermos ao seu amor, seremos plenamente realizados e felizes.
APROFUNDANDO:
- Quem sou eu? Qual o meu lugar no mundo? Qual a minha missão?
- Como reconheço e trabalho o meu temperamento? Considero-me uma pessoa de bom relacionamento e convivência fraterna?
- Estimulo o diálogo junto a comunidade religiosa? Procuro partilhar os meus anseios e as minhas dificuldades?
- Consigo favorecer o trabalho de diálogo e compreensão entre as co-irmãs de comunidade e as pessoas que freqüentam o meu espaço de vida?
Pe. Marcio Vanderlei Gil Trojillo
pemarcio@koinonialivros.com.br
Atividades
1) Para você , o que é LIberdade com Responsabilidade?
2) Quem é o homem e para que existe?
3) Comente o texto. 